quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

eu não posso mover o mundo

Há aridez a minha volta, aridez instalada, já cria vincos no meu chão.  
Às vezes me lembro, e a dor de lembrar me transborda.                                                  

Afundo na terra pesada. 
Volto para a superfície para respirar, e para o vento deixar meu pranto cair. 
No solo. 
Quero regar o solo, fazer nascer flores, mas minhas lágrimas não são semente, e não são chuva. 
Quero fugir, ir até a neve, mergulhar entre o branco de um chão e o azul do céu, mas meus braços não são asas. 
Iria longe, moveria paisagens, 
mas a vida tem me roubado a poesia;
braços são braços apenas, lágrimas são água e sal. E de tanto tentar poesia na dor e cair, cair, cambaleando frente a ela permaneço, árida, crua e imóvel. 

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