Daqui há 2 dias já são 7 meses. 7 meses que meu pai voou. Eu
nunca quis que esse fosse um blog de tristeza, e sim de homenagem. Por isso
enquanto eu era só tristeza optei por deixar ele de lado.
Pode parecer estranho, mas quero falar sobre a generosidade
desse momento. A cada dia aprendo algo novo, como um escultor perfeccionista
não me canso de me fazer novos traços mais humanos, mais detalhados. Por muitos
momentos enxerguei o mundo como se tivesse abrindo os olhos pela primeira vez.
Aprendo a ser a filha que minha mãe precisa que eu seja e
ajudo ela a encontrar a mãe que preciso que ela seja, aprendo todos os dias a
ter fé (parece fácil mas é um ponto interno bem difícil de encontrar), tenho
estudado a paciência, entendido a importância de andar e parar quando for
preciso, entendi que não deve haver pudor em se afastar de quem nos fere, me
conecto com as ações que sei que vim realizar aqui nesse mundo.
A vida não se tornou uma estrada menos tortuosa desde que
meu pai voou, mas eu vesti sapatos que tornam essa estrada mais fácil de se
atravessar (além de estar vestida com as roupas e armas de Jorge)
E tudo isso, sei, foi através da minha força, enfrentamento,
dos encontros com pessoas que me iluminaram. Mas antes de tudo, foi através do
meu pai.
Sinto a partida dele, sofrimento inevitável e que não encontra mais espaço para poesia. Mas agradeço os
elementos que foram deixados para eu aprender e crescer com essa dor.
Ainda quero falar sobre encontros bem específicos através do
que meu pai deixou, como a doação de livros da biblioteca dele e outros livros
que saltaram aos meus olhos como se ele estivesse me indicando um caminho novo.
