Papai na infância, o medo da morte ou uma certa premonição.
Eu pensava que meu pai fosse morrer em um sábado.
Eu ouvia “construção” do Chico Buarque e meu peito apertava,
Comia o feijão com arroz do fim de semana, com ele na
mesa, e esse medo nas minhas costas.
Pensava que ele ia morrer atrapalhando o tráfego.
Nem tinha idade ainda para entender do que falava a música,
E que na música o rapaz cai de um prédio.
Devia ter uns 8 anos.
Eu era uma criança paranoica.
Meu pai era professor, não era pedreiro, desses que
constroem prédios.
Ele construía conhecimento.
Ele atravessava ruas com um passo tímido.
Ele deve ter caído no chão.
Morreu em uma segunda-feira,
na rodoviária.
...no meio do passeio público.
Nenhum comentário:
Postar um comentário